terça, 09 outubro 2018 14:58

Sweet-Football avalia impacto do walking football em indivíduos de meia-idade e idosos com diabetes tipo 2

O projeto Sweet-Football arrancou a 14 de setembro, com o propósito de “desenvolver um programa de exercício físico baseado no walking football (“futebol a andar”) para indivíduos de meia-idade e idosos com diabetes tipo 2, e avaliar o seu impacto na saúde”. Em entrevista ao My Diabetes, o Prof. Doutor Romeu Mendes, coordenador do projeto, explica que a “bem conhecida relação de afetividade dos portugueses com o futebol” serviu de mote a esta iniciativa.

My Diabetes (MD) | O projeto Sweet-Football arrancou a 14 de setembro com uma sessão de apresentação das atividades aos participantes e às suas famílias. Em que consiste esta iniciativa?

Prof. Doutor Romeu Mendes (RM) | O Sweet-Football é um projeto de investigação que tem por objetivo desenvolver um programa de exercício físico baseado no walking football (“futebol a andar”) para indivíduos de meia-idade e idosos com diabetes tipo 2, e avaliar o seu impacto na saúde. Está atualmente a decorrer, até dezembro de 2018, a primeira fase do projeto, onde pretendemos desenvolver e testar exercícios de walking football de acordo com a sua aplicabilidade e segurança, numa população que agrega vários fatores de risco.

Numa segunda fase do projeto queremos avaliar o impacto, a longo prazo, desta modalidade na saúde dos participantes, nomeadamente no controlo glicémico, no risco cardiovascular e na qualidade de vida.

 

MD | De que necessidade surgiu esta iniciativa?
RM | A atividade física é um dos pilares do controlo da diabetes tipo 2 e todas as organizações científicas internacionais da área reforçam este facto, inclusive a Organização Mundial de Sáude. No entanto, a adesão dos doentes a esta terapia (não farmacológica) é muito baixa. As pessoas são relutantes em ter um estilo de vida mais ativo, e especialmente em praticar exercício físico de forma regular. O divertimento, o envolvimento afetivo, e o contacto social proporcionado por uma atividade/modalidade específica parecem ser fatores facilitadores da mudança comportamental e, logo, do aumento da adesão terapêutica.

A bem conhecida relação de afetividade dos portugueses com o futebol constitui um meio ideal para a implementação desta modalidade como estratégia de prevenção e tratamento das principais doenças crónicas não-transmissíveis, como a diabetes e as doenças cardiovasculares. Os homens de meia-idade e idosos são a faixa da população portuguesa com maior prevalência de diabetes, daí serem o público-alvo deste projeto. Os resultados de alguns estudos internacionais, que testaram o futebol recreativo e o walking football em populações envelhecidas e com doenças crónicas, proporcionam perspetivas entusiasmantes na utilização desta modalidade como ferramenta terapêutica.

 

MD | De que forma o ISPUP, a Portugal Football School da Federação Portuguesa de Futebol e o ACES Porto Oriental da ARS Norte vão trabalhar em parceria?
RM | Os participantes do projeto são utentes das unidades de saúde do Agrupamento de Centros de Saúde Porto Oriental e foram recrutados pelos seus médicos de família, que vão acompanhar a evolução clínica. O desenho do estudo e operacionalização dos treinos decorre de uma estreita articulação entre o ISPUP e Portugal Football School da Federação Portuguesa de Futebol.
Todas as sessões de exercício físico contam com a presença de um treinador de futebol, um fisiologista do exercício e um enfermeiro. As avaliações médico-desportivas foram realizadas no Centro de Medicina Desportiva do Porto. Este projeto foi vencedor de uma bolsa de investigação da FIFA, que suporta a primeira fase do estudo. Contudo, será necessário estabelecermos mais parcerias para a implementação da segunda fase.

 

MD | Há mais algum assunto que gostaria de destacar?

RM | Acreditamos que este tipo de estratégia de atividade física é potencialmente sustentável em Portugal através do envolvimento dos clubes de futebol em estreita articulação com os cuidados de saúde primários. Os programas comunitários de exercício físico são um best buy para o controlo das doenças crónicas.

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