quarta, 02 agosto 2017 12:06

Simpósio Luso-Brasileiro: partilhar experiências e conhecimentos

Durante o Simpósio Luso-Brasileiro “Tiroide e pituitária”, que decorreu no âmbito da 68.ª Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), foram abordados por especialistas dos dois países quatro assuntos referentes a duas áreas de interesse: endocrinologia oncológica e hipófise.

O Simpósio Luso-Brasileiro “Tiroide e Pituitária” teve duas mesas dedicadas a temas relacionados com a endocrinologia oncológica e a hipófise. Os assuntos foram abordados por especialistas portugueses e brasileiros, resultando numa troca valiosa de conhecimentos e experiências em áreas particularmente fortes em termos de investigação, nos dois países.

O Prof. Doutor Miguel Melo é endocrinologista no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e iniciou a primeira mesa com a comunicação “Carcinoma da tiroide – quando fazer terapêutica ablativa com iodo”. Nesta sessão, o especialista abordou a melhor altura para fazer terapêutica ablativa com iodo nos carcinomas diferenciados da tiroide, sendo que discutiu quais os novos critérios que estão atualmente “em cima da mesa”, como seja a mudança relativamente aos doentes de baixo risco e de risco intermedio. De notar que até há pouco tempo os especialistas consideravam que quase todas as pessoas deveriam fazer terapêutica com iodo 131.

“Sabemos que há um número significativo de doentes com tumores de baixo risco e de risco intermédio que provavelmente não beneficiam dessa terapêutica e, como tal, está preconizado individualizar o tratamento com base nas características do tumor da pessoa em causa. Ou seja, é avaliado o risco de recidiva e de mortalidade específica pelo carcinoma e, perante o resultado, é ponderado se vale a pena fazer ou não o tratamento”, disse o Prof. Doutor Miguel Melo.

Um dos objetivos deste simpósio foi mostrar algumas das áreas particularmente fortes nos dois países, em termos de investigação, pelo que na perspetiva do endocrinologista do CHUC “foi interessante constatar que nas diversas áreas existem grupos que trabalham muito bem em ambos os países. Houve um intercâmbio, mostrámos o que estamos a fazer e até houve oportunidade de lançar âncoras para futuras colaborações. Aliás, já temos algumas parcerias com o Brasil, mas ao evidenciarmos que estamos a desenvolver um bom trabalho em certas áreas, poderemos vir a trabalhar em conjunto em mais áreas”.

A avaliação do doente com massa adrenal foi focada pelo Prof. Doutor Claudio Kater. Na opinião deste médico endocrinologista de São Paulo, Brasil, o tema foi selecionado pela comissão científica do evento por ser um dos assuntos mais “palpitantes e efervescentes na literatura médica”.

Segundo o especialista, “a massa adrenal é estudada no Brasil há mais de 30 anos, mas como tem sido muito estudada nos últimos tempos, tem estado em voga. O interessante é que são casos que no passado foram relativamente desconsiderados do ponto de vista da importância clínica e que hoje em dia têm-se mostrado responsáveis por uma série de condições associadas à síndrome metabólica. São doentes passíveis de melhorarem ou de curarem após identificação e cirurgia”.

 

Depois da endocrinologia oncológica, falou-se da hipófise

 

A sessão do Prof. Doutor Manuel Lemos, professor da Universidade da Beira Interior, “Hipogonadismo hipogonadotrófico congénito – da genética molecular à prática clínica”, foi a primeira da segunda mesa do simpósio. Trata-se de uma doença rara, mas que tem grandes implicações para os doentes e respetivos familiares, caracterizada pelo atraso ou ausência da puberdade e pela infertilidade, sendo muitos dos casos de causa genética.  “Hoje em dia é possível, através das tecnologias existentes, fazer a deteção das mutações nos genes responsáveis pelo hipogonadismo hipogonadotrófico, tendo algumas implicações importantes. Isto porque, ao identificarmos alguma alteração genética, conseguimos fazer algumas previsões sobre o que vai acontecer a essa pessoa durante a sua vida e também conseguimos prever a existência de outros problemas de saúde que se podem associar a esta doença”, referiu o Prof. Doutor Manuel Lemos.

E, como pode ser uma doença hereditária, “é possível fazer o teste genético aos restantes familiares do doente, para saber se há o risco de desenvolver a patologia quando chegar a adolescência e a idade adulta”, disse o preletor e acrescentou que “também é possível prever a probabilidade de uma pessoa com uma alteração genética ter um descendente com a mesma doença”.

A Prof.ª Doutora Margaret CS Boguszewski, endocrinologista pediátrica e professora do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Paraná, proferiu a sessão intitulada “Tratamento com GH na baixa estatura – da genética molecular à prática clínica”, encerrando o Simpósio Luso-Brasileiro.

Foi no início da década de 40 do século passado que os especialistas começaram a utilizar a hormona do crescimento. Atualmente, está disseminada em todo o mundo, porém as indicações variam em cada país e, segundo a Prof.ª Doutora Margaret CS Boguszewski, tem de ter uma indicação muito cuidadosa. “Cada criança tem a sua própria maneira de responder à terapêutica. Ainda hoje estamos a procurar uma forma de encontrar quem vai ser beneficiado com o tratamento”, indicou a endocrinologista pediátrica, considerando importante comparar e discutir as diferenças de cada região. “Na Europa, a aplicação do tratamento com GH é diferente do que nos EUA e no Brasil, pelo que é fundamental que os especialistas partilhem experiências”, acrescentou.

 

Na foto, Dr. Fábio Trujilho, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), e Dr. Francisco Carilho, Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), moderadores da primeira mesa.

 

Artigo original publicado na publicação "Highlights da 68.ª Reunião SPEDM e 19.º European Congress of Endocrinology" da News Farma.

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