quarta, 06 setembro 2017 12:23

NEURODIAB 2017: Coimbra reúne especialistas mundiais para debater neuropatia diabética

O 27.º Encontro Anual do Grupo de Estudo Europeu de Neuropatia Diabética (NEURODIAB 2017) reúne, de 9 a 11 de setembro, em Coimbra, alguns dos mais prestigiados especialistas de renome nacional e internacional para debater uma das mais importantes complicações da diabetes: a neuropatia diabética. Esta doença atinge o sistema nervoso periférico, provocando alterações da sensibilidade e dor na maior parte dos casos, podendo, nos casos mais avançados, ter como consequência a necessidade de amputação dos membros.

Inserido na 53.ª Reunião Anual da European Association for the Study of Diabetes (EASD 2017), o NEURODIAB 2017 tem como principal objetivo promover o avanço do conhecimento sobre a neuropatia diabética, através de uma cooperação ativa entre especialistas de várias áreas, tais como endocrinologistas, neurologistas, neurofisiologistas, nefrologistas, gastroenterologistas, especialistas de Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar.

Para a Prof.ª Doutora Isaura Tavares, presidente do encontro e investigadora na área da neuropatia diabética, “é fundamental apoiar e promover o intercâmbio de conhecimento médico e científico em áreas como a neuropatia diabética, com destaque para as atuais dificuldades sentidas no seu diagnóstico e tratamento, proporcionando assim um debate sobre as futuras perspetivas necessárias para melhorar o estado atual desta situação”.

85% das amputações ocorridas em doentes diabéticos estão relacionadas com neuropatia sensitivo-motora

O diagnóstico da neuropatia diabética passa pela caracterização de um quadro clínico, com os sinais e sintomas mais típicos, e pela realização de testes neurológicos. Trata-se de um doença que se manifesta através de sintomas como dormência ou sensação de queimadura nos membros inferiores, formigueiro, pontadas, choques, agulhadas nas pernas e pés, desconforto ou dor e perda da sensibilidade táctil, entre outros.

Como explica o endocrinologista Prof. Doutor José Luiz Medina, “a neuropatia diabética é uma complicação que evolui de forma traiçoeira, durante algum tempo sem sintomas ou sinais, mas que pode ser causa de grande sofrimento para as pessoas com diabetes, sobretudo pelas dores que pode provocar, pela incapacidade física e pelas repercussões sobre o sistema nervoso autónomo. No caso da neuropatia sensitivo-motora, chega mesmo a ser o principal fator de risco para o desenvolvimento de úlceras no pé diabético, que por sua vez são responsáveis por cerca de 85% das amputações ocorridas em pacientes diabéticos, pelo que o investimento na prevenção é fundamental”.

Impacto socioeconómico da dor crónica é estimado em 4,6 mil milhões de euros/ano

A neuropatia diabética é uma das causas mais comuns de dor neuropática, a qual é reflexo da destruição progressiva dos nervos do corpo. É a principal complicação e a mais incapacitante da diabetes. Acontece quando há um aumento do açúcar no sangue nos diabéticos não controlados, o que provoca modificações e até obstrução nos vasos que alimentam os nervos.

“A dor crónica é reconhecida como um grave problema de saúde pública com impacto significativo na qualidade de vida das pessoas e enormes custos individuais e sociais. Em Portugal, o impacto socioeconómico da dor crónica é estimado em dois mil milhões de euros/ano em custos com cuidados de saúde, valor que atinge os 4,6 mil milhões de euros quando somados os gastos com incapacidades temporárias, "baixas" e reformas antecipadas”, alerta o Prof. Doutor José M. Castro Lopes, coordenador do estudo epidemiológico sobre dor crónica em Portugal e membro da comissão organizadora do NEURODIAB.

Estudo em curso sobre a neuropatia diabética em Portugal

Lançado em 2015, pelo Grupo de Estudos da Neuropatia Diabética (GRENEDI) da Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD), o estudo PREVANEDIA tem procurado calcular a prevalência da neuropatia diabética em Portugal. Trata-se de um estudo que conta com o apoio de inúmeros especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF) que têm contribuído para a recolha e análise de dados.

Como explica o Dr. Rui Cernadas, médico especialista em Medicina Geral e Familiar e um dos responsáveis pelo estudo PREVANEDIA, “sob o ponto de vista médico, a neuropatia diabética é a mais vulgar e frequente das complicações, embora subavaliada. A neuropatia diabética é caracteristicamente dolorosa e predominantemente sensitiva, com bem menor envolvimento motor”.

Embora o estudo em curso ainda tenha um número relativamente pequeno de doentes e não abranja a totalidade do território nacional, alguns resultados preliminares indicam que muitos doentes diabéticos apresentam alterações sensitivas características da neuropatia diabética, incluindo dor crónica, mas são poucos os que efetuam terapêutica adequada, o que poderá indiciar um subdiagnóstico desta complicação da diabetes.

O NEURODIAB 2017 irá colocar em discussão os últimos avanços no tratamento e na investigação da neuropatia diabética, temas que serão abordados através de um vasto programa que inclui palestras, simpósios, sessões de apresentações orais e apresentação de posters. Considerado o principal fórum de discussão anual no campo da neuropatia diabética, a reunião constitui uma oportunidade para apresentar e discutir novas ideias sobre a causalidade, avaliação e tratamento da neuropatia diabética.

 

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