quarta, 20 dezembro 2017 11:31

Prevalência da obesidade infantil diminuiu em Portugal, mas ainda há muito a fazer

A percentagem de crianças dos seis aos oito anos obesas, com excesso de peso e baixo peso diminuiu em 2016, segundo o Relatório COSI (Childhood Obesity Surveillance Initiative – Iniciativa de Vigilância da Obesidade Infantil) Portugal 2016, apresentado hoje, dia 20 de dezembro, em Lisboa. Contudo, a obesidade ainda afeta 12% das crianças da faixa etária analisada.

Coordenado cientificamente e conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), na sua qualidade de Centro Colaborativo da Organização Mundial da Saúde (OMS) – Europa para a Nutrição e Obesidade Infantil, em articulação com a Direção-Geral da Saúde (DGS), o COSI produz dados comparáveis entre países da Europa e permite a monitorização da obesidade infantil a cada dois/três anos.

Relativamente à última análise (2013), o COSI registou em 2016 uma diminuição nos três indicadores: obesidade, excesso de peso e baixo peso. Numa altura em que o estudo COSI completa 10 anos de existência, foram apresentados os resultados da 4.ª ronda deste projeto, no qual foram avaliadas 6.745 crianças (50,4% do sexo feminino) das 230 escolas do primeiro ciclo do Ensino Básico.

Os resultados indicam que 30,7% tinham excesso de peso (31,6% em 2013), 11,7% eram obesas (13,9% em 2013) e 0,9% tinham baixo peso (2,7% em 2013).

Nos últimos oito anos, o estudo COSI Portugal (2008 a 2016) mostrou uma tendência invertida na prevalência de excesso de peso, já que em 2008 esta era de 37,9% (+7,2%). Relativamente à prevalência de obesidade, verificou-se igualmente uma diminuição, passando de 15,3% em 2008 para 11,7% em 2016.

No ano passado, e de acordo com os critérios desenvolvidos, as regiões do Algarve, Madeira e Açores foram as que apresentaram a maior prevalência de baixo peso (1,3%), enquanto a região dos Açores foi a que apresentou a maior prevalência de obesidade (17%).

Em 2016, as regiões que apresentaram uma prevalência de excesso de peso infantil acima da apresentada a nível nacional no COSI Portugal (30,7%) foram as regiões Norte (33,9%), a Madeira (31,6%) e os Açores (31%). O Algarve foi a região com menor prevalência de excesso de peso infantil (21,1%).

A investigação identificou as áreas classificadas de rurais com as com maiores prevalências de excesso de peso e obesidade. Na zona semiurbana registou-se a maior prevalência de baixo peso.

Das crianças avaliadas (entre os seis e os oito anos), as com oito anos foram as que apresentaram valores médios de excesso de peso (pré-obesidade e obesidade) e baixo peso mais elevados. Os rapazes registaram uma maior prevalência de obesidade (12,6%), enquanto as raparigas tinham uma maior prevalência de excesso de peso (31,6%). Em relação ao baixo peso, a percentagem é igual em ambos os sexos, inferior a 1%.

O documento indica que entre a primeira ronda efetuada para o COSI (2008) e a quarta ronda (2016), "todas as regiões portuguesas mostraram um decréscimo na prevalência de excesso de peso (incluindo obesidade)".

"O decréscimo foi mais acentuado na região dos Açores (de 46,6% em 2008 para 31% em 2016), seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo (de 38,3% para 29,3%) e Centro (de 38,1% para 30%).

No capítulo dedicado aos hábitos alimentares, os investigadores detetaram em 2016 um maior consumo de carne (17,3%) do que de peixe (9,8%). O consumo diário de fruta foi mais frequente (63,3%) do que a sopa de legumes (56,6%) e de outros legumes (37,7%). A maioria (75,1%) das crianças inquiridas consome até três vezes por semana biscoitos ou bolachas doces, bolos e donuts. "Na mesma frequência semanal, 86,8% reportou o consumo de rebuçados, gomas ou chocolates e 65,3% o consumo de refrigerantes açucarados", lê-se no documento. O Relatório indica ainda que o consumo semanal de pizzas, batatas fritas, hambúrgueres, enchidos e salsichas, até três vezes por semana, foi de 88,7%. Também até três vezes por semana registou-se um consumo de batatas fritas de pacote, folhados e pipocas na ordem dos 83,3%.

Menos atividade física na escola

Em comparação com 2008, no ano passado houve mais crianças a ir para a escola de carro - "de sublinhar também que a maioria dos pais/encarregados de educação (64,1%) não considerava o caminho de ida e de regresso da escola seguro" –  e uma maior proporção de crianças (75,5% em 2016 em comparação com 12,2% em 2008) a gastarem entre uma e duas horas por dia durante a semana a jogar no computador.

Mas ao contrário do que acontecia há oito anos, são agora menos as crianças que dizem não ter numa atividade física durante a semana e são mais as que fazem exercício três ou mais horas por dia durante o fim-de-semana. Uma realidade que contrasta com o que se passou em ambiente escolar. Apesar da maioria das escolas disponibilizarem “90 minutos ou mais por semana de educação física às crianças do 1.º e 2.º ano, verificamos que estas eram mais frequentes em 2008 (81,9% e 79,6%) do que em 2016 (65,1% e 64,3%)”.

O estudo salienta ainda “que 9,9% das escolas do 1.º ano e 9,0% das escolas do 2.º ano disponibilizaram menos de 60 minutos de atividade física por semana, sendo que foi na região de Lisboa e Vale do Tejo onde se verificou esta situação com maior expressão, designadamente 17,1% no 1.º ano e 17,6% no 2.º ano de escolaridade”.

 

Fontes: DN e Público

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