quarta, 25 julho 2018 11:07

Mais de 4.500 portugueses com risco de diabetes identificados em farmácias

Cerca de quatro centenas de farmácias nacionais encaminharam 4.577 utentes com risco moderado a muito alto de diabetes, para o seu médico de família. Esta referenciação decorreu no âmbito do Desafio Gulbenkian “NÃO à Diabetes!”, realizado entre 14 de novembro de 2017 e 1 de maio de 2018, com o objetivo de informar e prevenir o desenvolvimento da diabetes tipo 2, uma doença com custos importantes para o Serviço Nacional de Saúde.

A ação de rastreio envolveu 383 farmácias de 64 municípios, avaliando um total de 8.112 utentes. A referenciação de mais de metade dos portugueses examinados nesta campanha, deu origem a cerca de duas mil consultas médicas. Foram diagnosticados 190 doentes que desconheciam ser diabéticos, traduzindo-se em 9,5% dos utentes com diabetes.

O método utilizado pelos farmacêuticos foi a avaliação de risco (Findrisk), com suporte tecnológico e a comunicação entre o sistema da farmácia (Sifarma) e a Plataforma de Dados em Saúde, do Ministério da Saúde. Os casos de risco mais elevado foram encaminhados para consulta médica nos cuidados de saúde primários.

Num comunicado divulgado à comunicação social, o diretor do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Gulbenkian, Dr. Jorge Soares, refere que o “sucesso” desta intervenção se baseou em dois fatores chave. “O primeiro foi a eficácia do recrutamento e identificação das pessoas com risco de diabetes, através da colaboração excecional das farmácias para identificar os utentes, fazer-lhes o teste e encaminhá-los para os centros de saúde”, explica. “O segundo fator foi a educação das pessoas para o futuro, com foco nos centros de saúde. O sucesso do desafio só foi possível graças ao alinhamento de vários parceiros: as autarquias, as farmácias como porta de entrada e os centros de saúde”.

O rastreio através da avaliação do risco de desenvolver a doença, mediante fatores como a obesidade, tabagismo ou antecedentes familiares é fundamental, uma vez que a diabetes é assintomática no início, mas pode provocar lesões em diversos órgãos, como os rins, olhos e sistema vascular. “Uma diabetes não diagnosticada, não controlada, com um nível metabólico desregulado e elevados níveis de glicose no sangue, tem um maior risco de complicações e pode conduzir à morte” esclarece a Dr.ª Adelaide Figueiredo, médica no Centro de Diabetologia do Hospital Distrital de Santarém.

O diagnóstico precoce da diabetes é importante para prevenir lesões e complicações associadas, como o enfarte do miocárdio, os acidentes vasculares cerebrais ou o pé diabético. Nesta área, as farmácias são um elemento essencial nos cuidados de saúde primários e na promoção de hábitos de vida saudáveis.

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